Torcida busca salvar o Corinthians, o clube mais endividado do Brasil
Por Redação
05/09/2026 às 08:00

Foto: VEJA
O projeto Safiel visa vender ações aos torcedores para reverter a crise financeira do clube.
Fundado em 1910 por operários, o Corinthians enfrenta atualmente uma grave crise financeira, acumulando dívidas que chegam a quase 3 bilhões de reais, com custos anuais superiores a centenas de milhões apenas em juros. Diante dessa situação crítica, surgiu a proposta chamada Safiel, que se propõe a separar a gestão do futebol profissional da estrutura social do clube, permitindo a venda de ações aos torcedores e investidores institucionais.
A ideia, que surge após a aprovação da Lei da Sociedade Anônima do Futebol em 2021, busca transformar a gestão do clube de forma que não dependa de um único investidor. Carlos Teixeira, um dos criadores do projeto, destaca que a SAF do Corinthians não terá um controlador principal e que a distribuição de ações será pulverizada, com um limite de 1,8% dos votos por CPF para evitar concentrações de poder.
A proposta também prevê que a administração do clube fique nas mãos de diretores independentes, evitando as disputas políticas tradicionais. Eduardo Perez Salusse, outro idealizador do projeto, afirma que o objetivo é devolver o futebol aos torcedores, que se tornariam proprietários de uma fração do clube ao adquirirem ações.
O modelo também busca garantir que os torcedores tenham voz ativa em comitês e conselhos do clube, algo que se mostrou necessário após campanhas de arrecadação que não atingiram suas metas, como a vaquinha da Arena do Corinthians, que arrecadou menos de 10% do necessário para quitar seu financiamento.
A aceitação do projeto dependerá da superação de resistências internas e do engajamento dos torcedores. O modelo brasileiro se inspira em casos internacionais, como o Green Bay Packers nos EUA, que pertence à sua comunidade, e o Union Berlin na Alemanha, onde os torcedores se mobilizam para a manutenção do clube e do estádio.
Embora iniciativas como a Safiel possam apontar um novo caminho para o futebol brasileiro, a necessidade de disciplina orçamentária e transparência se mantém crucial para o sucesso da gestão dos clubes.
Fonte: VEJA
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