Programa digital pode ajudar a controlar o colesterol e prevenir infartos
Por Redação
25/08/2026 às 14:00

Foto: VEJA
Uma pesquisa nacional revela que um acompanhamento digital pode contribuir para a redução do colesterol LDL e prevenir complicações cardiovasculares.
Superar um infarto ou um AVC é considerado uma conquista, mas o perigo de novos eventos permanece. O colesterol LDL, conhecido como "colesterol ruim", continua sendo uma ameaça às artérias. Manter os níveis desse colesterol sob controle é crucial para evitar um segundo incidente cardiovascular, um desafio enfrentado no Brasil.
Um estudo nacional, coordenado pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a Novartis e a epHealth, foi publicado na revista JAMA Cardiology. O projeto, chamado SAPPHIRE-LDL, investigou se uma abordagem digital poderia ajudar a reduzir esse problema. A pesquisa envolveu 1.465 pacientes adultos que já haviam enfrentado infarto, AVC ou outros problemas relacionados a entupimentos arteriais, atendidos tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto por clínicas privadas em 28 locais diferentes do país.
Os centros de saúde foram sorteados em dois grupos: um seguiu o tratamento convencional, enquanto o outro utilizou uma plataforma digital com lembretes de exames, alertas automáticos para médicos, conteúdo educativo para pacientes e dispositivos para medir o colesterol durante as consultas. O acompanhamento durou seis meses. Ao final do período, o grupo que utilizou a ferramenta digital apresentou uma média de colesterol LDL inferior à do grupo convencional.
A proporção de pacientes que alcançou a meta rigorosa de colesterol, abaixo de 50 mg/dL, aumentou quase duas vezes: 23,5% no grupo digital em comparação a 13,4% no grupo tradicional, resultando em 86% mais chances de atingir esse objetivo. Além disso, houve um aumento na prescrição de medicamentos mais potentes para redução do colesterol entre os pacientes que usaram a plataforma.
No entanto, o estudo é cauteloso em relação aos resultados. Mesmo entre os pacientes do grupo digital, a maioria não atingiu a meta ideal, e a diferença entre os grupos não foi suficiente para comprovar uma redução significativa em infartos, AVCs ou mortes durante o acompanhamento de seis meses. Isso indica que, embora a plataforma tenha melhorado um marcador de risco, ainda não há evidências concretas de que isso resulte em menos eventos graves, o que exigiria um acompanhamento mais prolongado e um número maior de participantes.
A plataforma se destacou por integrar exames realizados no momento, algoritmos de suporte à decisão médica e lembretes automáticos em um único sistema, facilitando o cumprimento das orientações, que frequentemente se perdem na rotina de consultórios lotados. Segundo o cardiologista Raul Santos, coautor do estudo, "tecnologia, sozinha, não basta": é necessário ampliar o acesso a terapias mais eficazes, como os inibidores de PCSK9, que já estão disponíveis, mas ainda são pouco utilizados na prática clínica brasileira.
O SAPPHIRE-LDL confirma uma realidade já conhecida pelos cardiologistas: mesmo em centros especializados, muitos pacientes que já tiveram um evento cardiovascular permanecem vulneráveis a novos problemas. A pesquisa indica que ferramentas digitais podem ajudar a abordar essa questão, mas, por si só, ainda não são suficientes para eliminá-la completamente.
Fonte: VEJA


