Obras públicas paradas no Rio de Janeiro superam 60%
Por Redação
01/10/2026 às 07:45
Atualizado em 01/10/2026 às 14:58

Foto: VEJA
Uma pesquisa revela que mais de 60% das obras públicas no Rio estão paralisadas, com índices ainda mais altos em algumas cidades da Região Metropolitana.
Um levantamento da Casa Fluminense, divulgado nesta quinta-feira, 1°, mostra que mais de 60% das obras públicas no estado do Rio de Janeiro estão paralisadas. Essa porcentagem chega a 80% em nove municípios da Região Metropolitana. A pesquisa faz parte da quinta edição do Mapa da Desigualdade, que analisa a região sob a ótica da justiça racial, de gênero, econômica e climática.
O relatório destaca uma situação preocupante de estagnação das obras, com cidades como Nilópolis, Itaguaí e Maricá apresentando 100% de paralisação. Outros municípios, como São João de Meriti e São Gonçalo, têm taxas de 93,7% e 90,9%, respectivamente. Na capital fluminense, 52,4% das obras estão sem progresso.
A coordenadora de informação da Casa Fluminense, Iris Rosa, enfatizou que as obras paralisadas representam um desperdício do dinheiro público, já que recursos e mão de obra ficam ociosos em um cenário de alta de custo de vida na Região Metropolitana.
O estudo, que surge em um contexto pré-eleitoral, visa estimular a formulação de políticas públicas. As informações foram coletadas a partir de dados governamentais, muitos obtidos pela Lei de Acesso à Informação e pela Geração Cidadã de Dados.
Além das obras, o relatório aborda questões como endividamento e despesas com transporte. Cerca de 58% da população adulta na Região Metropolitana não consegue honrar suas dívidas, totalizando mais de 5,9 milhões de inadimplentes e R$39 bilhões em débitos, com a Baixada Fluminense sendo a mais afetada.
Os gastos com transporte consomem 10% da renda média, sendo ainda mais críticos em Belford Roxo e São Gonçalo, onde os custos ultrapassam 50% da renda per capita. A pesquisa também aponta que o tempo de deslocamento para o trabalho em algumas áreas chega a mais de 1 hora e 22 minutos.
O Mapa da Desigualdade também aborda temas como abandono escolar e violência policial. O índice de abandono escolar na região é de 4,3%, acima da média estadual e quase o dobro da nacional. O estudo destaca as barreiras estruturais que contribuem para essa situação, como a ineficiência do transporte público e a insegurança. Além disso, menciona a violência policial, citando a operação mais letal da história do estado, que resultou na morte de 122 pessoas no Complexo da Penha no ano passado.
Fonte: VEJA
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