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Pesquisa aponta que a terapia com testosterona sem diagnóstico médico pode aumentar significativamente o risco de eventos cardiovasculares e morte.
Uma nova pesquisa publicada na revista eBioMedicine, parte do grupo The Lancet, investiga o uso de testosterona sem a devida indicação médica, uma prática crescente, especialmente no Brasil, onde muitos homens, incluindo jovens, utilizam o hormônio sem acompanhamento adequado. A pesquisa, liderada por Hatim Kerniss e Ralf J. Ludwig, avaliou quase 360 mil homens entre 30 e 75 anos que iniciaram terapia com testosterona, analisando prontuários eletrônicos de 123 instituições de saúde.
O estudo destacou que aproximadamente 35% dos participantes não tinham um diagnóstico confirmado de hipogonadismo, condição caracterizada por baixos níveis de testosterona. Após ajustar os dados por idade, raça e condições pré-existentes, os pesquisadores acompanharam 113.554 homens por até dez anos.
Os resultados foram alarmantes: homens que iniciaram a terapia sem evidência de hipogonadismo apresentaram 51% mais chances de sofrer eventos cardiovasculares graves, como infarto e derrame, em comparação com aqueles com diagnóstico adequado. Em números absolutos, 16,5% dos homens sem diagnóstico enfrentaram esses eventos em uma década, em comparação com 11,8% do grupo com indicação correta. O risco de morte por qualquer causa quase dobrou (aumento de 90%) nesse grupo.
Além disso, o estudo revelou um aumento de 23% no risco de derrame, 41% no risco de parada cardíaca e 32% no risco de insuficiência cardíaca entre aqueles sem diagnóstico. O infarto apresentou uma alta discreta de cerca de 10%. Vale ressaltar que a pesquisa não condena a testosterona como tratamento, mas ressalta os riscos associados ao uso indevido.
Os pesquisadores observaram variações nos riscos entre diferentes grupos raciais, com maiores riscos entre homens asiáticos, seguidos por brancos, latinos e negros, embora a amostra asiática tenha sido menor e necessite de confirmação futura.
A publicação do estudo coincide com uma nova diretriz da Endocrine Society, que reforça a importância de um diagnóstico rigoroso de hipogonadismo, que deve incluir sintomas compatíveis e, no mínimo, duas dosagens de testosterona em jejum, confirmando níveis baixos.
O recado é claro para os homens que consideram o uso de testosterona: a substância não deve ser tratada como um suplemento, mas sim como um hormônio que requer diagnóstico laboratorial adequado, acompanhamento médico contínuo e reavaliações regulares. O uso irresponsável pode não apenas prejudicar a saúde, mas também levar a consequências graves, incluindo a morte.
Fonte: VEJA
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