A radiologia se fortalece em meio à evolução da Inteligência Artificial
Por Redação
24/07/2026 às 13:00

Foto: VEJA
A especialidade médica de radiologia continua em alta, desafiando previsões de que a IA a tornaria obsoleta.
Recentemente, um painel discutiu o impacto da Inteligência Artificial (IA) na remuneração médica, evidenciando que a tecnologia não substituirá os médicos, mas transformará algumas funções, especialmente as repetitivas e operacionais. O debate sobre o efeito da IA na medicina reflete visões divergentes: enquanto alguns acreditam na criação de novas oportunidades e aumento de produtividade, outros alertam para o desemprego e a desigualdade social.
A radiologia tem sido um campo fundamental para compreender esse impacto, dado seu grande volume de dados e a padronização digital das imagens. Até 2026, a FDA deve aprovar mais de 1.500 dispositivos médicos com base em IA, sendo 76% voltados para a radiologia, com uma média de quase 30 novos modelos por mês.
Em 2016, Geoffrey Hinton, laureado com o Nobel de Física em 2024, previu que os radiologistas desapareceriam em pouco tempo, sendo substituídos por algoritmos. No entanto, dez anos depois, a realidade mostrou que a radiologia se tornou uma das especialidades mais bem remuneradas nos EUA. O alarmismo em torno da automação afastou estudantes da medicina, contribuindo para uma escassez de profissionais em um momento de crescente demanda.
Os erros nas previsões não foram tecnológicos, mas econômicos. A automação pode eliminar tarefas, mas não empregos inteiros. O trabalho de um radiologista envolve não apenas a detecção de lesões, mas também o julgamento clínico e a interação com equipes de saúde. A IA pode facilitar o reconhecimento de padrões, mas não pode substituir a responsabilidade e a comunicação humanas.
Além disso, a automação pode reduzir o custo de diagnósticos, aumentando a demanda por exames à medida que a população envelhece. Por fim, a qualidade e a responsabilidade humana são insubstituíveis em processos críticos na saúde. Nenhuma instituição pode abrir mão da supervisão médica.
No futuro, a radiologia se transformará, com profissionais se afastando do modelo exclusivo de emissão de laudos e se concentrando em supervisão, validação e liderança. A IA não substituirá os radiologistas, mas mudará a natureza de seu trabalho, destacando a importância do julgamento clínico e do contexto humano em suas funções.
* Leonardo Vedolin é médico radiologista e VP médico da Dasa
Fonte: VEJA
Relacionadas
Novo comprimido reduz colesterol em até 60% com poucos efeitos colaterais
25/07/2026 às 08:00
Por Redação
Anvisa proíbe venda de cosméticos irregulares, incluindo alisantes e tinturas
24/07/2026 às 12:00
Por Redação
Mais Lidas


