A importância de abordar a saúde mental em pacientes com doenças crônicas
Por Redação
24/09/2026 às 08:00
Atualizado em 24/09/2026 às 09:51

Foto: VEJA
A saúde mental deve ser avaliada em pacientes com condições como diabetes, onde o risco de depressão é elevado.
Setembro é o mês que destaca a saúde mental, um tema que ainda é negligenciado, especialmente entre pessoas com doenças crônicas como diabetes. Estudos mostram que aqueles que convivem com essa condição têm quase o dobro de chances de desenvolver depressão, muitas vezes sem que isso seja percebido durante as consultas médicas.
Uma pesquisa recente, que será apresentada no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD) em Milão, na Itália, acompanhou 400 pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2 durante 14 dias. Os pesquisadores descobriram que dias com controle rigoroso dos níveis de glicose frequentemente eram seguidos por uma queda na qualidade de vida. Em contraste, noites de sono reparador e níveis elevados de energia estavam associados a dias melhores.
Embora o estudo não estabeleça uma relação de causa e efeito, ele evidencia um fenômeno conhecido como diabetes distress, que se refere ao estresse emocional de lidar com essa condição. Esse desgaste pode levar à depressão, mas muitas vezes requer abordagens diferentes, como suporte emocional e educação em saúde, em vez de medicamentos.
Estima-se que cerca de 40% dos pacientes com diabetes enfrentam esse sofrimento emocional, o que é significativamente mais alto do que as taxas de depressão clínica. Ignorar esse aspecto pode ter consequências graves, como o comprometimento do autocuidado e o aumento do risco de complicações.
Portanto, é fundamental que a avaliação da saúde mental não seja responsabilidade apenas dos psiquiatras, mas integrada à rotina de todos os médicos que tratam diabetes. As diretrizes da Associação Americana de Diabetes (ADA) recomendam que todos os pacientes com diabetes e seus cuidadores passem por triagens periódicas para depressão, ansiedade e outras questões relacionadas.
Ferramentas simples, como questionários rápidos, podem ser utilizadas em consultórios para facilitar essa triagem. A ADA sugere que a atenção deva ser redobrada em momentos críticos, como o diagnóstico, anualmente, quando as metas de tratamento não são atingidas, ou nas grandes transições da vida.
Embora a tecnologia tenha avançado no tratamento do diabetes, com dispositivos que monitoram a glicose em tempo real, esses dados não capturam a saúde emocional dos pacientes. Por isso, é essencial que os médicos também perguntem sobre o bem-estar emocional de seus pacientes, indo além das métricas de controle glicêmico.
Neste mês de setembro e ao longo do ano, que a pergunta mais importante nas consultas não se restrinja apenas aos níveis de hemoglobina glicada, mas inclua questionamentos sobre a vida e a saúde mental dos pacientes.
Fonte: VEJA
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