Tratamento inovador pode evitar amputação do reto em pacientes com câncer
Por Redação
25/10/2026 às 15:39

Foto: VEJA
Um estudo revela que o dostarlimabe pode eliminar a necessidade de cirurgias invasivas em pacientes com uma alteração genética específica, preservando o reto.
MADRI – Um novo medicamento imunoterápico tem o potencial de evitar a remoção do reto em pacientes com câncer, um procedimento que pode resultar em colostomia permanente. O estudo global AZUR-1, apresentado no dia 24 de outubro durante o Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) em Madri, mostrou que o dostarlimabe eliminou os sinais de câncer em 76% dos pacientes avaliáveis com um subtipo específico da doença, sem a necessidade prévia de quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.
A pesquisa de fase 2 envolveu 154 indivíduos diagnosticados com câncer de reto localmente avançado, que apresentavam alterações genéticas conhecidas como deficiência no reparo de pareamento do DNA (dMMR) ou alta instabilidade de microssatélites (MSI-H). Essas características estão presentes em aproximadamente 5% a 10% dos casos desse tipo de tumor.
Andrea Cercek, pesquisadora principal do estudo, destacou que a principal vantagem dessa abordagem é a preservação do reto, evitando as consequências de intervenções cirúrgicas mais invasivas. A remoção do reto pode exigir uma colostomia, onde uma abertura no abdômen permite a saída das fezes para uma bolsa coletora, podendo ser permanente em alguns casos. Além disso, cirurgias e radioterapia podem causar alterações intestinais, urinárias e sexuais, além de infertilidade em certos pacientes.
Paulo Hoff, oncologista que não participou do estudo, considera que essa descoberta representa uma mudança significativa para os pacientes, já que evita a necessidade de uma colostomia permanente e melhora a qualidade de vida.
Os participantes do estudo receberam nove infusões de dostarlimabe ao longo de seis meses. Ao final do tratamento, exames como ressonância magnética, endoscopia e biópsias foram realizados para verificar a presença de câncer. Dentre os 144 pacientes avaliáveis, 110 (76%) apresentaram resposta completa, sem sinais detectáveis da doença. Desses, 98 (68%) mantiveram essa resposta por pelo menos 12 meses sem cirurgia. Alguns pacientes puderam adotar um monitoramento regular, denominado "watch and wait" (observar e esperar), ao invés de se submeter imediatamente à cirurgia.
Nos Estados Unidos, o dostarlimabe já recebeu aprovação acelerada pela FDA em 19 de outubro para o tratamento de adultos com câncer de reto localmente avançado em estágios II ou III com as alterações moleculares mencionadas. A farmacêutica GSK, responsável pelo medicamento, solicitou a aprovação da Anvisa para uso no Brasil e aguarda resposta.
Os resultados do estudo AZUR-1 ainda precisam ser acompanhados a longo prazo. O professor David Tougeron, que discutiu os resultados no congresso, ressaltou que a falta de um grupo controle limita comparações diretas com tratamentos convencionais. Embora a alta taxa de preservação do reto e a ausência de recidivas sejam promissoras, é fundamental realizar mais pesquisas para confirmar esses achados e entender melhor a eficácia do tratamento.
Vale destacar que o dostarlimabe não é indicado para todos os pacientes com câncer de reto. O tratamento é eficaz apenas para aqueles com alterações genéticas dMMR/MSI-H, que devem ser identificadas por exames específicos antes do início do tratamento.
Fonte: VEJA
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