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Uma nova calculadora online permite avaliar a propensão a problemas cardíacos com base em exames de rotina.
Todo paciente deve se questionar sobre seu risco cardiovascular ao final de uma consulta. Agora, essa informação pode ser obtida rapidamente, graças a uma calculadora desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, que utiliza o escore PREVENT, criado pela Associação Americana do Coração e incorporado nas novas diretrizes brasileiras.
A calculadora é voltada para profissionais de saúde e não deve ser utilizada diretamente pelos pacientes, pois os resultados precisam ser interpretados em conjunto com o histórico médico do indivíduo e outros fatores que não podem ser considerados apenas por uma fórmula.
Para utilizar a ferramenta, são necessárias informações coletadas em consultas regulares, como idade, sexo, pressão arterial, peso, altura, histórico de tabagismo, presença de diabetes e uso de medicamentos para controle de pressão ou colesterol. Resultados de exames de sangue, como colesterol total, HDL e creatinina, também são utilizados. Informações adicionais como hemoglobina glicada e albumina na urina podem refinar ainda mais o cálculo.
O modelo é baseado em dados de mais de 6 milhões de pessoas e é aplicável a adultos de 30 a 79 anos que não tenham histórico de infarto, derrame ou insuficiência cardíaca. Ele estima a probabilidade de um evento cardiovascular nos próximos dez anos e, para pessoas de 30 a 59 anos, também calcula riscos para os próximos 30 anos, alertando sobre os impactos de hábitos atuais na saúde futura.
A calculadora PREVENT traz três inovações significativas: incorpora a função renal e peso corporal, calcula o risco de insuficiência cardíaca separadamente e não considera mais a raça como variável. O cálculo de risco é essencial, pois determina as metas de tratamento, como as taxas de LDL, pressão arterial e glicose, assim como a escolha de medicamentos adequados.
Com a doença cardiovascular sendo a principal causa de morte no Brasil, é fundamental que todos os médicos que atendem adultos, não apenas cardiologistas, realizem essa avaliação. Clínicos gerais, endocrinologistas, nefrologistas, geriatras, reumatologistas, pneumologistas e cirurgiões vasculares desempenham papéis cruciais nessa abordagem.
Ainda que a calculadora tenha sido desenvolvida com dados da população americana, o seu desempenho na população brasileira ainda precisa ser validado. As diretrizes atuais sugerem a inclusão de fatores adicionais, como histórico familiar e doenças inflamatórias, que podem alterar a classificação de risco.
Obter uma avaliação numérica do risco cardiovascular é um avanço significativo, pois transforma orientações gerais sobre saúde cardíaca em um plano de ação claro e objetivo. Portanto, não deixe de perguntar ao seu médico sobre seu risco cardiovascular na próxima consulta.
Fonte: VEJA
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