Distância entre pesquisas e resultados eleitorais levanta questionamentos
Por Redação
30/10/2026 às 06:00
Atualizado em 30/10/2026 às 09:59

Foto: VEJA
As eleições de 2026 revelaram uma discrepância significativa entre as previsões das pesquisas e os resultados reais, evidenciando a complexidade do cenário político atual.
A eleição presidencial de 2026, marcada por uma polarização intensa, destacou uma diferença notável entre as previsões dos institutos de pesquisa e os resultados das urnas. Lula foi eleito com 51,79% dos votos, superando Flávio Bolsonaro, que obteve 48,21%. Esse desfecho contrasta com a primeira rodada, onde Flávio liderou com uma vantagem de 2,2 milhões de votos.
Embora os institutos tenham percebido mudanças no cenário entre os turnos, nenhum previu a vitória de Lula, que conquistou 4,4 milhões de votos a mais que seu adversário. As empresas de pesquisa defendem que seus resultados estavam dentro da margem de erro e que suas sondagens representam o momento, não previsões. Segundo o cientista político Fábio Vasconcelos, a rápida mudança na opinião pública tornou a previsão política um desafio ainda maior.
A campanha de Lula conseguiu mobilizar eleitores, especialmente por meio de ações digitais, resultando em um aumento significativo na participação, que cresceu em quase 3 milhões de votos. As metodologias tradicionais de pesquisa enfrentam dificuldades em avaliar esse engajamento, especialmente com a obrigatoriedade do voto no Brasil, que torna os eleitores relutantes em admitir sua intenção de não votar.
Além disso, novos dados mostram que uma parte considerável dos eleitores decidiu seu voto na última hora. Uma pesquisa da Quaest indicou que 6% dos eleitores tomaram sua decisão na semana anterior à votação, e 9% no próprio dia da eleição. Esses fatores, combinados com a avaliação da campanha do PL, ajudaram a explicar as discrepâncias nas intenções de voto registradas pelas pesquisas.
Os diretores dos institutos reconhecem a necessidade de ajustes em suas metodologias e buscam formas mais eficazes de medir a disposição dos eleitores. A inovação tecnológica tem sido uma aliada nesse processo, permitindo um aumento no número de sondagens realizadas. Somente em 2026, foram registrados 3.646 levantamentos no Tribunal Superior Eleitoral, um aumento de 22% em relação ao ano anterior.
As pesquisas eleitorais têm uma longa história, e embora erros tenham ocorrido, eles se tornam memoráveis. Um exemplo famoso é a eleição americana de 1948, quando Harry Truman foi surpreendentemente reeleito, apesar das previsões em contrário. Apesar de avanços nas metodologias, a captura da dinâmica emocional do eleitor continua sendo um desafio significativo para os institutos de pesquisa.
Fonte: VEJA
Relacionadas
André Ceciliano retoma articulações para presidência da Alerj após vitória de Lula
30/10/2026 às 17:29
Por Redação
João Santana recusa convite para campanha de Flávio Bolsonaro
30/10/2026 às 17:01
Por Redação
Voo de Flávio Bolsonaro para a Flórida foi financiado por intermediário
30/10/2026 às 16:44
Por Redação
Mais Lidas


