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Diabetes tipo 1 pode ser detectado anos antes dos sintomas

Diabetes tipo 1 pode ser detectado anos antes dos sintomas

Por Redação

29/09/2026 às 08:47

Diabetes tipo 1 pode ser detectado anos antes dos sintomas

Foto: VEJA

Especialistas sugerem rastreamento da população para diagnóstico precoce da doença. Tratamentos já permitem adiar o início da condição.

O diabetes tipo 1, que historicamente se manifesta de forma súbita e grave, pode ser identificado anos antes de seus sintomas, segundo um consenso internacional divulgado na revista Diabetologia. O documento, que foi um dos destaques do Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes em Milão, recomenda o rastreamento da população para detectar a doença em estágios iniciais.

Essa condição, que é autoimune, ocorre quando o sistema imunológico ataca as células do pâncreas que produzem insulina. Os primeiros sinais da doença são a presença de autoanticorpos no sangue, mesmo antes dos níveis de glicose apresentarem alterações. O rastreamento é essencial, pois mais de 85% das pessoas diagnosticadas não possuem histórico familiar da doença, o que torna fundamental a busca ativa por novos casos.

Estudos demonstram que crianças diagnosticadas precocemente apresentam taxas de cetoacidose diabética significativamente menores. Na Alemanha, um programa de rastreamento revelou apenas 3,2% de cetoacidose em crianças monitoradas, em comparação a 21% a 36% em outras partes do país. O diagnóstico antecipado também proporciona às famílias um tempo crucial para se prepararem e entenderem a condição, permitindo um tratamento menos impactante.

Recentemente, um novo medicamento, teplizumabe, foi aprovado pela Anvisa como capaz de retardar o diabetes tipo 1. Este tratamento é indicado para indivíduos com 8 anos ou mais que se encontram no estágio 2 da doença e é administrado através de infusões intravenosas. Os resultados indicam que o medicamento pode adiar o início da necessidade de insulina em cerca de dois anos.

Apesar dos benefícios, o tratamento é caro, com cada ampola custando cerca de 80 mil reais em São Paulo, o que representa um grande desafio para muitas famílias e para o sistema de saúde como um todo. A necessidade de um programa estruturado de rastreamento e acesso a tratamentos tornou-se evidente para garantir que mais crianças possam evitar o impacto severo do diabetes tipo 1 em suas vidas.

Fonte: VEJA

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