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A Endocrinologia enfrenta um momento crucial, lidando com inovações em medicamentos e os riscos de práticas não científicas.
A Endocrinologia e Metabologia está vivendo um período de grandes transformações, refletindo sobre a saúde, longevidade e qualidade de vida. Questões como obesidade, diabetes, doenças da tireoide e outros problemas de saúde não são mais tratadas de forma isolada, mas sim como parte de um debate mais amplo sobre como envelhecer de maneira saudável.
Com o surgimento de novos medicamentos, temos à disposição ferramentas que transformam o tratamento de doenças que antes apresentavam resultados limitados. Hoje, a discussão envolve não apenas o controle de glicose ou peso, mas também a proteção cardiovascular e renal. No entanto, essa evolução traz à tona a necessidade de debates sobre o uso adequado dessas inovações.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), junto com outras entidades, tem alertado sobre o crescimento de um mercado paralelo que se aproveita do desejo por tratamentos eficazes. O uso de hormônios, por exemplo, passou a ser associado à ideia de “otimização”, levando a práticas que se distanciam da ciência.
Além disso, o mesmo fenômeno pode ser observado com os novos medicamentos para obesidade. A SBEM defende que a resposta a esse desafio não é a proibição, mas sim a proteção da população contra práticas inadequadas e a promoção de acesso a inovações que realmente funcionam.
Um aspecto crítico é que, enquanto novos medicamentos prometem transformar o tratamento de condições como obesidade e diabetes, uma parte significativa da população ainda não tem acesso a essas inovações. Assim, é fundamental garantir que a segurança e o acesso caminhem juntos para evitar que as promessas de saúde fiquem restritas a poucos.
A SBEM está engajada em um modelo de vigilância contínua, combatendo a desinformação e colaborando com diferentes setores da sociedade para que as práticas médicas sejam baseadas na ciência e na ética. A comunicação científica se tornou essencial, pois informações errôneas podem se espalhar rapidamente, e é responsabilidade da comunidade científica ocupar esse espaço.
Com o crescimento das inovações, a Endocrinologia e Metabologia deve encontrar um equilíbrio entre a prudência e a inovação. O verdadeiro papel da especialidade é não apenas celebrar descobertas, mas também transformar essas inovações em saúde acessível para todos, combatendo atalhos enganosos e promovendo um cuidado de qualidade.
Clayton Macedo, presidente eleito da SBEM para 2029-2030 e especialista em Endocrinologia, destaca a importância de a Endocrinologia brasileira não apenas se posicionar no centro da ciência, mas também atuar como um elo entre ciência e sociedade.
Fonte: VEJA
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