Banner Horizontal

Home

/

Notícias

/

Brasil

/

Crescimento acelerado das favelas no Brasil

Crescimento acelerado das favelas no Brasil

Por Redação

01/09/2026 às 08:00

Atualizado em 01/09/2026 às 10:04

Crescimento acelerado das favelas no Brasil

Foto: VEJA

Nos últimos 40 anos, a área das favelas quase triplicou, refletindo um aumento acima da média urbana do país.

As favelas se tornaram um tema central nas discussões políticas do Brasil, especialmente nas eleições recentes. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, 16,4 milhões de pessoas, representando 8,1% da população, residem em 12,3 mil favelas e comunidades urbanas no país.

Uma análise da Agência Mural de Jornalismo das Periferias revelou que o termo "favela" e suas variações foram citados 38 vezes nos planos de governo apresentados pelos candidatos à presidência. Apesar disso, a conotação geralmente é negativa. O termo "periferia", por sua vez, teve um aumento de menções, quadruplicando em relação a 2022, passando de 11 a 44.

Um estudo do MapBiomas, uma rede que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia, aponta que a área urbana das favelas cresceu quase três vezes entre 1985 e 2024, saltando de 53,7 mil hectares para 146 mil hectares, enquanto as cidades em geral cresceram 2,5 vezes. Para ilustrar, um hectare equivale a um campo de futebol.

Segundo o geógrafo Julio Pedrassoli, professor da USP e coordenador do Mapeamento de Áreas Urbanizadas do MapBiomas, essa expansão rápida é atribuída à desigualdade na distribuição de renda. Ele explica que as favelas costumam surgir em áreas com menor valor imobiliário, como regiões de declives acentuados ou nas proximidades de rios. "Essas áreas são, por natureza, informais. A desregulamentação explica, em grande parte, por que as favelas crescem mais rapidamente, servindo como uma alternativa de moradia para uma parcela significativa da população que não tem acesso ao mercado formal".

O levantamento do MapBiomas, que utiliza imagens de satélite e dados oficiais do IBGE, não apenas mapeia esse crescimento, mas também revela a forma como ele ocorre. Pedrassoli destaca que o risco está intimamente ligado à ocupação informal. Entre 1985 e 2024, a área das favelas situadas em terrenos com alta declividade aumentou mais de 150%, passando de 2.266 hectares para 5.704 hectares. As áreas próximas a drenagens, mais suscetíveis a enchentes e alagamentos, cresceram 145%, de 493 mil hectares para 1,2 milhão de hectares.

O especialista ressalta que a expansão das cidades deve ser analisada dentro do contexto de risco e mudanças climáticas, que afetam mais intensamente áreas vulneráveis como as favelas. "As moradias nessas áreas têm menor capacidade de suportar riscos e geralmente estão em locais perigosos. Todas as capitais brasileiras possuem ocupações em áreas de risco, sendo a pobreza o principal fator de vulnerabilidade".

Os dados indicam que as favelas são predominantemente um fenômeno urbano metropolitano. Em 2024, 82% da área urbanizada em favelas estava localizada em regiões metropolitanas. Brasília destaca-se por registrar as favelas que mais cresceram nas últimas quatro décadas, com quatro das cinco favelas que mais se expandiram localizadas na capital federal. As favelas Sol Nascente e 26 de Setembro são as maiores do Brasil, com 599 e 577 hectares, respectivamente.

Entretanto, o crescimento das favelas não é exclusivo de Brasília e do Sudeste. Em Manaus e Belém, na Região Norte, metade da expansão urbana ocorreu por meio da favelização, de acordo com o MapBiomas. Atualmente, das 20 favelas mais populosas do Brasil, oito estão na Região Norte.

Adicionalmente, 25% da expansão urbana do Brasil ocorreu em áreas de segurança hídrica crítica. Com a diminuição de 17% na superfície de água mapeada nos últimos 40 anos, a situação se torna alarmante.

As condições de vida nas favelas revelam disparidades significativas. Dados do Censo de 2022 mostram que 64% dos moradores de favelas vivem em vias sem árvores, em comparação a 31% fora dessas áreas. Seis das 20 maiores favelas não possuem rampas para cadeirantes, enquanto nas demais o percentual varia de 1% a 8%. Fora das favelas, esse percentual vai de 6% a 34%.

Atualmente, no Brasil, a abordagem em questões sociais deveria ser preditiva, utilizando dados e evidências para antecipar necessidades e direcionar recursos de forma preventiva. "Sabemos onde estão as áreas de risco e quais delas estão em favelas. Com essas informações, podemos agir antes que os problemas se agravem", afirma Pedrassoli.

A plataforma do MapBiomas disponibiliza dados detalhados, revisados por especialistas, que podem ser acessados gratuitamente. Um exemplo de sucesso é o uso de dados pelos bombeiros do Acre, que melhoraram sua eficiência em cerca de 70% na resposta a eventos extremos.

O desafio nas eleições atuais é deixar de lado suposições e incluir no debate a implementação de políticas sociais baseadas em evidências. É essencial discutir um modelo de cidade que integre as favelas, proporcionando condições dignas de vida e acesso a políticas públicas para seus moradores.

Embora as favelas estejam em expansão no Brasil, seus habitantes continuam a ser tratados de maneira desigual, enfrentando operações policiais e tragédias naturais que poderiam ser evitadas.

Fonte: VEJA

Banner Horizontal
logo

Site dedicado a informar com agilidade e responsabilidade, trazendo os principais acontecimentos locais, regionais e nacionais.

Siga

Hora1 © Copyright 2025

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.