Conflito na Rede Sustentabilidade após divisão do fundo eleitoral
Por Redação
24/09/2026 às 13:17

Foto: VEJA
A divisão dos recursos do fundo eleitoral provoca tensões entre Marina Silva e a direção do partido, que priorizou candidaturas de Luizianne Lins e Heloísa Helena.
A recente alocação de recursos do fundo eleitoral pelo partido Rede Sustentabilidade gerou novas tensões internas, especialmente entre a candidatura de Marina Silva e a liderança da legenda. Marina, que concorre ao Senado por São Paulo, recebeu R$ 1 milhão, enquanto a deputada Luizianne Lins, que busca uma vaga no Senado pelo Ceará, foi contemplada com R$ 2,2 milhões. Heloísa Helena, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, recebeu R$ 2,8 milhões, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A campanha de Marina contestou os valores e buscou revisão junto à direção nacional da Rede, mas não obteve resposta. Para sua equipe, a discrepância nos repasses reflete as antigas divergências entre a ala de Marina e o grupo que atualmente comanda o partido, vinculado a Heloísa Helena. Os dados mostram que o montante destinado a Marina representa menos da metade do valor recebido por Heloísa e cerca de 45% do total dado a Luizianne.
Além do valor recebido da Rede, Marina também obteve R$ 1,1 milhão do PSOL, partido com o qual a Rede formou uma federação em 2022. Contudo, a contestação se refere especificamente aos recursos do partido. A situação de Luizianne é peculiar, uma vez que ela se filiou à Rede em abril deste ano, após 37 anos no PT, e mesmo assim recebeu um valor significativamente maior que o de Marina, uma das fundadoras da Rede.
Heloísa Helena, por sua vez, recebeu R$ 2,808 milhões para sua candidatura à Câmara dos Deputados. Ela está envolvida em disputas internas que resultaram na mudança de liderança da Rede em 2023, quando seu grupo venceu a ala próxima a Marina.
A legislação permite que os partidos definam os critérios de distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), desde que respeitadas as normas legais, incluindo cotas para mulheres e minorias. Os critérios devem ser aprovados pela direção nacional do partido e divulgados. Em 2022, a Rede recebeu R$ 35,8 milhões do fundo eleitoral, representando cerca de 0,72% do total destinado a todos os partidos.
A Rede não se manifestou sobre a diferença nos valores até o fechamento desta matéria. A distribuição dos recursos segue uma resolução aprovada em julho, que estabelece que a Comissão Executiva Nacional é responsável por decidir sobre a destinação e complementações dos recursos, considerando fatores como planejamento estratégico e necessidades de cada candidatura.
A disputa pelo financiamento ocorre em um contexto de conflitos internos que já levantaram dúvidas sobre a permanência de Marina na Rede. Após a vitória do grupo de Heloísa no congresso nacional da legenda, membros da ala de Marina cogitaram deixar o partido, mas posteriormente a ex-ministra reafirmou sua decisão de permanecer, justificando sua escolha como programática e não pragmática.
Fonte: VEJA
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