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Inteligência artificial transforma mercado de jingles eleitorais

Inteligência artificial transforma mercado de jingles eleitorais

Por Redação

01/10/2026 às 06:30

Atualizado em 01/10/2026 às 14:58

Inteligência artificial transforma mercado de jingles eleitorais

Foto: A Tarde

A utilização de inteligência artificial revolucionou a produção de jingles eleitorais, tornando-a mais acessível, mas também desafiando os produtores tradicionais a manterem seus preços. A democratização trouxe novas oportunidades, mas também competição acirrada no setor.

A inteligência artificial (IA) modificou profundamente o mercado de jingles eleitorais, reduzindo tanto os custos quanto o tempo de produção. Enquanto serviços de IA oferecem jingles por valores que começam em R$ 40, produtores tradicionais afirmam ter mantido ou aumentado seus preços, refletindo uma divisão no setor.

Profissionais da Bahia, entrevistados pelo portal A TARDE, reconhecem que a tecnologia facilitou a criação de jingles para campanhas menores, mas, ao mesmo tempo, aumentou a pressão sobre músicos e produtores que não estão vinculados a grandes campanhas. Essa realidade expõe uma transformação no setor, onde a produção musical se tornou acessível a praticamente qualquer candidatura, mas os profissionais renomados passaram a focar em campanhas com maior orçamento.

No passado, a produção de jingles exigia equipes grandes e investimentos que variavam entre R$ 3 mil e R$ 30 mil. Atualmente, é possível encontrar jingles que custam cerca de R$ 800, enquanto grandes produtores ainda cobram entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por suas criações. Um exemplo recente é de um profissional de comunicação política que pagou R$ 4,8 mil por três jingles durante a atual campanha.

O uso da IA para a criação de jingles também permite que candidatos ou suas equipes desenvolvam músicas de forma rápida. Uma experiência realizada pela reportagem mostrou que um jingle pode ser produzido em cerca de três minutos. A IA possibilita a geração de novas composições a partir de músicas de referência, reduzindo a necessidade de múltiplos profissionais no processo.

Paulo Maneira, um estrategista de marketing político, destacou que essa democratização do acesso aos jingles tem suas vantagens, mas também trouxe uma nova concorrência. Agora, produtores independentes competem não apenas entre si, mas também com a tecnologia que oferece produções a preços muito mais baixos. Para os grandes produtores, a estratégia mudou, concentrando-se em campanhas com orçamentos mais elevados.

Daniel Borges, conhecido como Dan Hills, um dos maiores nomes na produção de jingles, afirmou que a IA não reduziu seus preços, pelo contrário, eles aumentaram devido à qualidade e à reputação de seu trabalho. Outros artistas, como Júlio Hermínio Luz, também acreditam que a tecnologia não consegue transmitir a emoção e a conexão que um artista humano proporciona.

Além disso, especialistas no setor alertam que a padronização dos jingles, causada pelo uso excessivo da IA, pode diluir a identidade das campanhas, tornando-as menos memoráveis. A qualidade das produções também levantou preocupações, com muitos profissionais acreditando que a era da produção manual traz mais autenticidade e conexão com o público.

Na Bahia, uma região rica em cultura musical, a tradição de jingles que se tornam hits duradouros está se perdendo, conforme apontam os especialistas. Embora a tecnologia tenha aberto portas, ainda há um valor significativo em manter a ligação cultural e emocional nas produções eleitorais.

Fonte: A Tarde

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