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Um terço dos gaúchos está indeciso sobre candidatura ao governo

Um terço dos gaúchos está indeciso sobre candidatura ao governo

Por Redação

09/08/2026 às 08:00

Atualizado em 09/08/2026 às 08:37

Um terço dos gaúchos está indeciso sobre candidatura ao governo

Foto: VEJA

Pesquisa revela que a indecisão entre eleitores do Rio Grande do Sul é a mais alta entre os grandes colégios eleitorais do Brasil.

A incerteza do eleitor é uma característica marcante da democracia no Rio Grande do Sul. Desde a reintrodução da reeleição no Brasil, em 1998, o estado tem seguido a tendência de não reeleger seus governadores, com seis deles não conseguindo renovar seus mandatos. A única exceção foi em 2022, quando Eduardo Leite, então no PSDB e agora no PSD, conquistou um segundo mandato, embora tenha renunciado ao cargo em março daquele ano para tentar uma candidatura presidencial sem sucesso.

Os gaúchos costumam oscilar entre opções políticas de diferentes espectros ideológicos. Desde a redemocratização, o estado já elegeu presidentes de várias posições, incluindo Lula, Geraldo Alckmin, José Serra, Aécio Neves e Jair Bolsonaro.

Na disputa atual, uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest no final de julho revelou que 31% dos eleitores gaúchos estão indecisos, o percentual mais elevado entre os maiores colégios eleitorais do país. Esse número é superior ao de apoiadores dos principais candidatos, Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), que juntos não chegam a convencer metade do eleitorado. A indecisão persiste desde a pesquisa de abril, quando ambos já apresentavam resultados semelhantes.

A polarização e a nacionalização da disputa são fatores que contribuem para essa hesitação. A esquerda se apresenta com uma aliança entre o brizolismo e o petismo, trazendo Edegar Pretto como vice. Por sua vez, a direita se apoia no bolsonarismo, com Zucco como candidato e a deputada estadual Silvana Covatti (PP) como vice, que é próxima do agronegócio.

Apesar do embate entre direita e esquerda, muitos eleitores gaúchos resistem a essa divisão. Segundo Silvana Krause, cientista política da UFRGS, as forças tradicionais no estado são o trabalhismo e a direita liberal, mas as campanhas insistem em polarizar a disputa.

No cenário nacional, Flávio Bolsonaro e Lula aparecem em empate técnico, com 32% e 30% das intenções de voto, respectivamente, enquanto 19% dos eleitores permanecem indecisos. O alto índice de indecisos representa um desafio para os candidatos, mas também abre uma oportunidade para a chamada terceira via.

Gabriel Souza (MDB), vice-governador e candidato de Leite, enfrenta dificuldades nas pesquisas, mas conta com a máquina pública e estruturas partidárias robustas. Embora 73% dos eleitores não o conheçam, 62% afirmam que podem mudar seu voto até outubro. A aprovação do governo Leite é dividida, com 48% dos eleitores aprovando seu trabalho e 42% desaprovando.

A inquietude do eleitor gaúcho e a falta de entusiasmo com os candidatos refletem uma desconfiança em relação à classe política, exacerbada pelas recordes de enchentes que devastaram a região em 2024. Além dos 31% de indecisos, 12% dos eleitores consideram anular o voto ou não comparecer às urnas. O cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP, destaca que há um evidente descrédito em relação à classe política gaúcha, o que impõe um desafio significativo às campanhas eleitorais.

Decifrar essa desconfiança poderá ser crucial para o sucesso ou fracasso dos candidatos nas eleições de outubro.

Fonte: VEJA

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