Surto de ebola na República Democrática do Congo já causou mais de 2.000 mortes
Por Redação
13/08/2026 às 09:23

Foto: VEJA
A Organização Mundial da Saúde alerta que o surto de 2026 pode ser o mais letal da história, superando o de 2014 a 2016.
O surto de ebola na República Democrática do Congo já resultou em mais de 2.000 mortes e pode se tornar o mais mortal já registrado, conforme informações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que, se o ritmo de contágio continuar, este surto ultrapassará o ocorrido entre 2014 e 2016, que causou pelo menos 11.000 mortes.
A epidemia atual foi declarada em 15 de maio e é considerada a de maior propagação até o momento, com mais de 4.300 casos confirmados. As primeiras 1.000 mortes ocorreram em apenas nove semanas, enquanto as 1.000 seguintes foram registradas em apenas três semanas. Em comparação, o surto anterior levou cerca de oito meses para atingir a mesma cifra de óbitos.
A OMS esclarece que os primeiros casos do surto atual surgiram em fevereiro, meses antes da declaração oficial. Inicialmente, as infecções foram diagnosticadas erroneamente como malária ou febre tifoide.
O surto de 2026 é causado pela raríssima cepa Bundibugyo do vírus ebola, que anteriormente havia causado apenas dois surtos conhecidos, em 2007 e 2012. O vírus atual é geneticamente distinto das variantes anteriores, e até o momento não há vacina ou tratamento aprovado para essa cepa.
Um dos principais desafios para conter a disseminação do vírus é a instabilidade na região leste da República Democrática do Congo, que enfrenta conflitos e está próxima das fronteiras com Sudão do Sul, Uganda e Ruanda. A maioria dos novos casos e mortes ocorre em áreas de difícil acesso para profissionais de saúde, onde a infraestrutura é precária.
Recentemente, a OMS anunciou que duas vacinas específicas para a cepa Bundibugyo estão sendo testadas em humanos pela primeira vez. Uma delas, desenvolvida pela Universidade de Oxford, utiliza a mesma tecnologia da vacina contra a covid-19 criada pela Oxford-AstraZeneca. Além disso, a OMS está apoiando um ensaio clínico no país para avaliar se duas terapias antivirais existentes podem aumentar as taxas de sobrevivência dos pacientes.
O ebola é uma doença viral rara, mas extremamente contagiosa e mortal, transmitida por fluidos corporais e superfícies contaminadas. Os sintomas aparecem entre dois e 21 dias após a infecção, começando com febre, dor de cabeça e cansaço, e podem evoluir para vômitos e diarreia, levando à falência de órgãos.
Fonte: VEJA
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