Filmes de terror refletem a pressão estética sobre mulheres
Por Redação
08/08/2026 às 08:00

Foto: VEJA
Produções recentes do gênero body horror abordam os horrores da pressão estética enfrentada por mulheres em todo o mundo.
Hana (Midori Francis), estudante de medicina, enfrenta uma batalha constante contra seu peso. Ao reencontrar uma ex-colega de escola, que se tornou irreconhecível após emagrecer drasticamente, ela descobre um remédio milagroso para emagrecimento, feito de cinzas humanas. Em sua busca desesperada por um corpo ideal, Hana começa a usar a substância e, em um ato extremo, utiliza o corpo de uma mulher para criar novas pílulas. Sua aparência muda rapidamente e ela atrai a atenção de uma professora de ginástica, mas logo começa a ser assombrada pelo espírito da mulher cujo corpo foi profanado no filme Insaciável (2026), que está em cartaz nos cinemas.
O filme, dirigido pela cineasta americana-australiana Natalie Erika James, faz parte do subgênero body horror, que explora a pressão estética que aflige as mulheres globalmente. Obras como A Morte Lhe Cai Bem (1992) e A Substância (2024) também abordam a obsessão por manter a juventude, enquanto o indie A Meia-Irmã Feia (2025) apresenta uma releitura sombria do clássico Cinderela, explorando o tema da beleza e das transformações corporais.
O body horror, que teve como pioneiro o cineasta canadense David Cronenberg, agora é reinterpretado por diretoras femininas que se apropriam da estética para contar histórias sob a perspectiva das mulheres. Coralie Fargeat e Julia Ducournau, por exemplo, mesclam a influência de Cronenberg com elementos do Cinema Extremo Francês, onde a violência e a sexualidade explícita eram predominantes, mas agora são apresentadas sob o olhar feminino.
Em Titane (2021), Ducournau apresenta uma protagonista que desenvolve uma relação bizarra com carros, refletindo sobre como a sociedade julga as mulheres pela aparência e as mutações que seus corpos sofrem ao longo da vida. O tema é também explorado em A Morte Lhe Cai Bem, onde duas mulheres imortais se tornam caricaturas de beleza em um ciclo vicioso de eterna juventude.
O novo filme Insaciável toca em questões sérias como distúrbios alimentares e a indústria farmacêutica, que lucra com a busca desenfreada por beleza. Entre 2021 e 2025, as vendas de medicamentos para emagrecimento no Brasil cresceram 78,3%, evidenciando como a pressão estética se transformou em um verdadeiro terror na vida das mulheres.
Fonte: VEJA
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