
Foto: VEJA
A farmacêutica Eli Lilly processou seis empresas por comercialização irregular de retatrutida, medicamento ainda em pesquisa para obesidade. A questão também afeta o Brasil.
A Eli Lilly anunciou uma ação judicial contra a venda ilegal de retatrutida, um potencial tratamento para obesidade e diabetes tipo 2 que ainda está em fase de testes. A empresa moveu seis processos contra farmácias de manipulação, clínicas estéticas e vendedores online nos Estados Unidos, que estariam oferecendo versões não autorizadas da substância.
A companhia alega que alguns fornecedores rotulam os produtos como "apenas para uso em pesquisa" para evitar a fiscalização, mas na verdade os vendem diretamente ao consumidor, incluindo instruções de dosagem. A retatrutida, um agonista triplo (GLP-1/GIP/glucagon), apresentou resultados significativos em estudos, com perda média de 28,3% do peso corporal em participantes que usaram a dose mais alta durante 80 semanas, quase equivalente a cirurgias bariátricas.
Apesar do resultado promissor, o medicamento ainda não foi aprovado por nenhuma agência regulatória. A Eli Lilly adiou seu pedido de registro à FDA para o primeiro trimestre de 2027, em vez de 2026, para reunir mais dados sobre fabricação e controle de qualidade.
A FDA já declarou que a venda de retatrutida não aprovada é ilegal e que farmácias não podem manipulá-la legalmente. Produtos rotulados como "apenas para pesquisa" têm qualidade desconhecida e podem representar riscos à saúde, uma vez que não há garantias sobre pureza ou dosagem.
Em outubro de 2025, a agência reguladora britânica apreendeu milhares de canetas injetoras falsificadas de retatrutida e tirzepatida. No Paraguai, a Dinavisa também se manifestou contra a venda ilegal da retatrutida.
A Eli Lilly informou que já denunciou mais de 14 mil sites e perfis em redes sociais que promovem a retatrutida ilegalmente em mais de 100 países, além de ter encaminhado mais de 200 indivíduos e empresas para a FDA e órgãos de fiscalização profissional. A farmacêutica também está pedindo que plataformas de redes sociais e e-commerce, operadoras de cartão de crédito e empresas de logística interrompam esse comércio ilegal.
A Lilly já havia adotado ações semelhantes contra cópias não autorizadas de outro medicamento, a tirzepatida (Mounjaro). Contudo, a diferença agora é que a retatrutida não possui previsão de aprovação em curto prazo, tornando qualquer versão vendida atualmente não testada em termos regulatórios e fora de supervisão de segurança.
Além disso, a Eli Lilly planeja lançar um programa de acesso antecipado limitado para pacientes que atendam a critérios médicos específicos, contrastando com o mercado clandestino.
No Brasil, a retatrutida já é comercializada ilegalmente, mesmo antes de sua aprovação. A Anvisa alertou sobre a situação, mas canetas anunciadas como "retatrutida" continuam aparecendo em sites e redes sociais, sendo apreendidas na fronteira com o Paraguai.
Somente no primeiro trimestre de 2026, as apreensões na região de Foz do Iguaçu já superaram R$ 11 milhões, valor superior ao total do ano anterior. A compra dessas canetas representa riscos, pois não há garantias sobre a presença de retatrutida ou a dosagem correta, além de preocupações com contaminações e falta de rastreabilidade. Assim, quem opta por adquirir esse produto está se arriscando a injetar uma substância sem qualquer garantia de segurança.
Fonte: VEJA
Relacionadas
Mais Lidas


