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O presidente Lula enfrentará um Congresso hostil e disputas pela presidência da Câmara e do Senado.
A vitória histórica de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo, 25, não encerra os desafios que ele terá pela frente em seu novo mandato. Em 2024, o presidente lidará com um Congresso Nacional mais conservador, que apresenta uma renovação reduzida e uma direita fortalecida nas duas Casas Legislativas.
Sem ter a maioria na Câmara dos Deputados ou no Senado, Lula precisará reconstruir sua habilidade de negociação com parlamentares que, durante seu terceiro mandato, impuseram diversas derrotas ao governo. O PL se destacou ao eleger as maiores bancadas nas duas Casas, e com o apoio de partidos como PP e Republicanos, a direita ocupará quase 60% das cadeiras.
A renovação no Legislativo foi a mais baixa desde a redemocratização, e muitos dos novos parlamentares tendem a se opor ao presidente. Esse fortalecimento da oposição complicará ainda mais a aprovação de projetos e a manutenção de decisões governamentais. Entre 2023 e 2025, o Congresso derrubou quase metade dos vetos presidenciais analisados, incluindo questões significativas como a demarcação de terras indígenas e a legislação sobre licenciamento ambiental.
Um dos revés mais simbólicos foi a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF, um evento inédito em 132 anos. Com ao menos quatro novas vagas na Corte nos próximos anos, Lula terá que encontrar nomes que consigam o apoio dos senadores, tarefa que se mostra desafiadora diante da predominância da direita.
Após as eleições, o presidente também deverá se preparar para a disputa pelos comandos da Câmara e do Senado, que ocorrerá em fevereiro. Os atuais presidentes, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), buscam reeleição, mas enfrentam desafios significativos. Motta, que já conta com o apoio de dez partidos, pode garantir sua permanência, embora precise lidar com a resistência do PL, a maior bancada da Casa.
Por outro lado, Alcolumbre enfrenta uma situação mais difícil, já que sua gestão foi marcada por derrotas para o governo e pela oposição, que pretende lançar um candidato para desafiá-lo, possivelmente Rogério Marinho (PL-RN).
Esse cenário indica que, apesar da vitória histórica, a reeleição de Lula representa apenas o primeiro capítulo de uma luta mais ampla: governar sem uma base sólida e negociar com um Legislativo que tende a ser cada vez mais independente.
Fonte: VEJA
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