Conselheiros econômicos de Lula divergem sobre ajuste fiscal na campanha
Por Redação
08/08/2026 às 17:38
Atualizado em 09/08/2026 às 08:37

Foto: VEJA
Dario Durigan assume a liderança econômica da campanha de reeleição de Lula, enquanto um programa preliminar ignora a necessidade de ajuste fiscal.
No cenário da campanha para a reeleição de Lula, Dario Durigan, ministro da Fazenda, se destaca como o principal interlocutor da estratégia econômica do presidente. Esta posição se torna ainda mais relevante após as declarações de José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, que trouxe à tona ideias heterodoxas, como o controle de capitais.
As reuniões entre Durigan e Lula são frequentes e ocorrem em horários alternativos, muitas vezes à noite ou nos fins de semana, envolvendo também outros conselheiros como Bruno Moretti, Edinho Silva e Aloizio Mercadante. Na última terça-feira, 4 de outubro, este grupo finalizou uma versão preliminar do programa de governo do PT, que não menciona a necessidade de ajuste fiscal e defende a continuidade das políticas vigentes.
Embora Durigan e Moretti reconheçam, em parte, que é necessário um endurecimento da política fiscal, eles também acreditam que as medidas atuais são adequadas. Um exemplo é o bloqueio de R$ 17,9 bilhões do Orçamento, o que visa atender ao limite de aumento real de despesas e aproximar o saldo das contas públicas da meta de superávit primário de 0,25% do PIB.
Atualmente, o governo projeta um saldo positivo de R$ 10,8 bilhões, mas essa conta ignora mais de R$ 60 bilhões em gastos que não entram na meta. Sem essa estratégia contábil, o déficit projetado é de R$ 52 bilhões, sem considerar o pagamento de juros da dívida.
A discussão sobre um possível ajuste fiscal divide os conselheiros de Lula: Durigan e Moretti são favoráveis a um endurecimento, enquanto Gabrielli e Mercadante têm uma visão mais crítica. Edinho Silva atua como um intermediário entre as diferentes correntes. No final de 2023, o PT já havia aprovado uma resolução defendendo a “libertação” das políticas de austeridade fiscal.
Lula, ciente da importância de manter boas relações com o setor financeiro, também busca não desmobilizar sua base militante, especialmente em uma eleição tão acirrada. O programa de governo do PT será apresentado no dia 16 de outubro em um evento em São Bernardo do Campo, mas a expectativa é de que o ajuste fiscal não seja abordado.
Fonte: VEJA
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