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Ciclones podem se tornar mais frequentes no Sul do Brasil, aponta meteorologista
Ciclones podem se tornar mais frequentes no Sul do Brasil, aponta meteorologista
Por Redação
07/08/2026 às 21:15

Foto: VEJA
Estael Sias, da MetSul, alerta que o Sul do Brasil deve enfrentar um aumento nos temporais e eventos extremos nos próximos meses.
O ciclone-bomba que atingiu o Rio Grande do Sul, gerando ventos de até 100 km/h, sinaliza um aumento na frequência de fenômenos climáticos extremos, de acordo com a meteorologista Estael Sias, sócia-diretora da MetSul. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, ela destacou que a combinação das características naturais da região, o fenômeno El Niño e as mudanças climáticas favorecerão a ocorrência de tais eventos.
Estael prevê um cenário de alerta para os próximos meses, à medida que o El Niño já se encontra em forte intensidade e deve se intensificar ainda mais até o final do ano. Segundo a meteorologista, esse fenômeno está vinculado ao aumento da frequência de chuvas e de eventos extremos, como tempestades, tornados e ciclones.
Ela explicou que a climatologia do Sul do Brasil, marcada por condições favoráveis à formação de ciclones e linhas de instabilidade, será potencializada pela influência do El Niño e pelas mudanças climáticas. A combinação de águas mais quentes e períodos prolongados de altas temperaturas serve como 'combustível' para a formação de sistemas meteorológicos mais intensos.
A expectativa é que o Sul do Brasil enfrente uma maior frequência de temporais, enchentes e outros eventos extremos, afetando não apenas o Rio Grande do Sul, mas também Santa Catarina, Paraná e países vizinhos.
Estael esclareceu que a região é propensa à formação de ciclones devido ao seu contraste térmico e à sua localização geográfica. O ciclone-bomba, por exemplo, é caracterizado por uma rápida intensificação e uma queda acentuada da pressão atmosférica, o que o torna um fenômeno notável nos boletins meteorológicos.
A meteorologista também comentou sobre a recente passagem do ciclone, afirmando que o período mais crítico ocorreu entre quinta e sexta-feira, quando o sistema provocou danos significativos. No entanto, ela destacou que o deslocamento rápido do ciclone para o alto-mar ajudou a reduzir o impacto sobre o continente.
Nos próximos dias, Estael prevê que o ciclone não se aproximará diretamente de São Paulo ou do Rio de Janeiro, mas poderá causar chuvas nas áreas leste desses estados e ressaca nos litorais do Sul e Sudeste.
Em relação à previsibilidade, a meteorologista afirmou que os ciclones, por serem fenômenos de grande escala, podem ser identificados com antecedência. No caso atual, a formação do ciclone foi prevista cerca de sete dias antes de sua ocorrência. Porém, ainda existem limitações em prever tempestades de verão localizadas.
Fonte: VEJA
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