Acusação de Sequestro por Delegada Envolve Governador do Maranhão
Por Redação
21/08/2026 às 10:12

Foto: VEJA
Gilbson Junior, condenado por assassinato, relatou à PF ter sido pressionado por uma delegada para não citar o governador Carlos Brandão em depoimentos. O governo nega as acusações.
Gilbson Cesar Soares Cutrim Junior, atualmente cumprindo pena de treze anos por assassinar o empresário João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, fez declarações à Polícia Federal (PF) que levantam sérias acusações contra a delegada da Polícia Civil do Maranhão. Ele afirmou ter sido forçado a não incriminar o governador Carlos Brandão (MDB) e sua família durante seus depoimentos.
No relato, Cutrim Junior alegou que foi "sequestrado" ao ser retirado de forma irregular do presídio e levado à delegacia, onde a delegada, identificada como Carolina, o orientou a omitir informações que poderiam envolver o governador. Segundo ele, a justificativa da delegada para essa irregularidade foi evitar grande repercussão na mídia, e ela ainda prometeu benefícios caso ele seguisse suas orientações.
O preso também mencionou que possuía um pen drive que continha informações sensíveis e que estava sob ameaça, mas a delegada teria sugerido que ele pensasse bem antes de fazer qualquer entrega ou declaração formal.
Cutrim Junior se recusou a assinar um registro preliminar que não refletia suas declarações, especialmente no que diz respeito à família Brandão. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão refutou as alegações, afirmando que o deslocamento do preso ocorreu com as devidas comunicações e procedimentos administrativos.
Durante seu depoimento, Cutrim Junior também relatou reuniões no Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, envolvendo o governador e Daniel Brandão, sobrinho do político e presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O homicídio pelo qual ele foi condenado supostamente está ligado a um esquema de propinas, o que gerou repercussão nacional após o ministro do STF, Flávio Dino, afastar Daniel Brandão de suas funções no TCE.
Os documentos da PF indicam que Cutrim Junior tinha um papel ativo nas transações ilícitas entre o núcleo político e que havia critérios estabelecidos para selecionar as empresas favorecidas com pagamentos indevidos. A escolha da empresa S. H. Vigilância e Segurança EIRELI gerou tensões internas entre os integrantes do esquema, levando a um encontro em agosto de 2022, onde Cutrim Junior foi confrontado sobre sua atuação.
Tanto o governador Carlos Brandão quanto Daniel Brandão negaram as acusações, destacando a falta de provas e a credibilidade do depoente, que é um condenado. Eles se colocaram à disposição das autoridades para esclarecimentos.
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão também informou que não há investigação interna em andamento sobre as declarações de Cutrim Junior, reiterando que respeita as investigações da PF e está disponível para colaborar.
Fonte: VEJA
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