
Foto: A Tarde
Terreiros de matriz africana na Bahia buscam se estruturar para o turismo, visando a preservação cultural e a resistência histórica.
A Bahia abriga cerca de 7,6 mil terreiros de cultos afro-brasileiros, a maioria localizada em Salvador e na Região Metropolitana. Essas casas, que representam diversas tradições religiosas e um legado de resistência negra, possuem um grande potencial turístico ainda não totalmente explorado.
Marcelo Santos, supervisor nacional da Federação Nacional do Culto Afrobrasileiro (Fenacab), defende a criação de roteiros turísticos que integrem importantes locais para as tradições de matriz africana. Ele acredita que o turismo pode ajudar a desmistificar esses espaços, respeitando seu caráter sagrado. Entre os locais sugeridos estão os parques do Abaeté e de São Bartolomeu, além de terreiros conhecidos como Oxumaré, Gantois, Casa Branca, Afonjá e Aganjú.
Além de Salvador, o Recôncavo e a Ilha de Itaparica são destacados como áreas com grande potencial para turismo inter-religioso. Santos enfatiza a importância de criar roteiros que respeitem a disponibilidade dos terreiros e o calendário das festividades religiosas.
Um exemplo é o terreiro Tuntun Olukotun, fundado em 1850 e localizado em uma área reconhecida como remanescente de quilombo. O local guarda a história de rituais que, no passado, eram realizados de forma clandestina. Recentemente, os terreiros têm enfrentado novos desafios, como a especulação imobiliária, e buscam o título de Patrimônio Imaterial junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O sacerdote Miguel Roque Filho, que é uma das lideranças do Tuntun, destaca a luta pelo reconhecimento e a importância de divulgar a história do terreiro. Recentemente, a casa começou a usar redes sociais para compartilhar suas festividades e eventos, visando ampliar a visibilidade e apoio da comunidade.
A Ilha de Itaparica é considerada uma referência mundial do culto egungun. Elanne Mendes, que coordena a organização do terreiro, propõe que visitas sejam planejadas de maneira a respeitar a espiritualidade do local, permitindo que as pessoas conheçam a história sem expor o sagrado.
Gleison Rocha, guia de turismo em Itaparica, inclui o Tuntun em seus roteiros, que também passam por outros terreiros de culto aos egungun e orixás. Ele menciona a necessidade de apoio das prefeituras para fomentar o turismo afro e criar roteiros que valorizem a cultura local.
No Raiz de Ayrá, em São Félix, Babá Tacunlecy e Iyá Bilú de Oxum estão à frente do terreiro de 109 anos, buscando adaptar suas festividades para receber visitantes sem comprometer os rituais. Tacunlecy ressalta a importância de formalizar as casas como associações para garantir recursos e programações que atraiam tanto a comunidade quanto turistas.
As transformações nos terreiros, impulsionadas pela modernidade e pela necessidade de preservação, buscam equilibrar tradição e inovação, utilizando a tecnologia para registrar e divulgar sua rica história.
Fonte: A Tarde
Relacionadas
Bahia é o quarto estado com mais denúncias de assédio eleitoral no trabalho
27/10/2026 às 08:07
Por Redação
Mais Lidas


